Confissões de uma menina
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
É estranho olhar uma foto tua, conversar contigo e não sentir nada aqui dentro. Um completo vazio onde antes havia um enorme frenesi. Cheguei a achar inclusive que fosse amor, mas o amor não se cala assim. Mesmo depois de um tempo ele ainda resmunga ou balbucia, talvez sejam apenas ecos de algo que retumbou fortemente outrora, porém a mim resta apenas o silêncio. Me deleito com as lembranças que tenho de nós dois, mas os sentimentos não reverberam mais em meu corpo. Não clamo pelo teu toque, não anseio a tua chegada, nem me arrepio ao ouvir meu nome em teus lábios. Abrir mão de você foi uma das coisas mais difíceis que eu tive que fazer, mas não tenho dúvidas de que tomei a decisão certa. Hoje me sinto liberta de correntes que nem mesmo sabia que existiam e elas eram muito apertadas e pesadas e me machucavam demais. Eu não percebi que cada segundo que eu decidia ficar, uma parte de mim era apagada pela ânsia do nós. Erro meu. Daqui pra frente só desejo que esse vazio se preencha e que os burburinhos retornem, porque eu jamais soube como viver sem amar.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
Sabe do que eu sinto mais falta desde que terminamos? De te ouvir balbuciar bem no pé do meu ouvido um pouco antes de dormir. Claro que sinto falta de muita coisa, coisa linda. Sinto falta do teu sorriso, da tua voz, do teu beijo, teu abraço, teu cheiro, teu mau humor logo após acordar e teu jeito de sempre me fazer rir. Como eu sinto falta da tua risada! Às vezes acordo pensando se sentirei teu cabelo passando entre meus dedos mais uma vez, ou se tuas mãos segurarão as minhas. No meio do dia lembro de algo que você me contou e é inevitável o sorriso que vem em seguida. Quando menos espero, lembranças de nós dois largados no sofá da tua sala me invadem e me enchem de amor. Como não lembrar com carinho do silêncio confortável que tínhamos entre nós? Das noites em que passávamos mais tempo procurando o que assistir do que de fato assistindo? Ou então das noites em que dormimos juntos? E é aí que a parte que eu mais sinto falta entra, porque não é só o fato de ter alguém falando coisas sem sentido na minha orelha que me faz falta, mas sim o fato de você sacrificar tua posição preferida para dormir só para encaixar teu corpo no meu, é a intimidade do momento, é se sentir em segurança só por causa daquele corpo envolvendo o seu; se sentir tão em paz com uma pessoa que você pode simplesmente fechar os olhos, se deixar ser envolvida por braços e pernas e ter como canção de ninar o balbuciar de alguém que te faz feliz. Não é só o gesto, mas sim todo o significado por trás dele.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Eu sempre tive dificuldade em aceitar coisas novas na minha vida; depois acabo me adaptando, mas os começos são sempre difíceis pra mim. Agora estou com outro alguém, um alguém que me trata como mereço, que não some, que quer ficar e mesmo assim eu me pego pensando que sinto falta do teu toque, da familiaridade entre nós dois. Eu escuto a voz dele e no mesmo instante lembro da tua, porque a tua voz sempre me encantou e as duas são tão diferentes. O modo como ele fala comigo me deixa boba toda vez, mas imagino você sentado ao meu lado lendo as mensagens, rindo e dizendo o quão ridículos somos. Eu que nunca fui de comparar nada, às vezes me pego pensando qual toque mais me incendiou ou então qual beijo me levou mais alto, o problema é que eu não consigo chegar a resposta nenhuma. Talvez seja essa minha dificuldade em aceitar o novo agindo mais uma vez, fazendo com que eu me agarre à familiaridade ao invés do desconhecido. É um pouco assustador se abrir e conhecer uma pessoa dessa forma, você não acha? Expor tudo o que você é pra alguém que pode te machucar da mesma forma como outras pessoas já fizeram é, de fato, amedrontador. Só espero que esse novo alguém cuide bem das partes que eu revelar de mim mesma, porque eu sei que darei o meu melhor para cuidar do que me for dado. Assim como fiz por você uma vez, lembra?
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Eu sonhei que eu morria, mas não aquelas mortes em que você cai de um prédio ou precipício e antes mesmo de tocar o solo você acorda. Não aqueles sonhos onde você é baleado e de repente seu sonho muda ou quando você é enforcado e o peso do seu corpo ao cair te leva pra outro lugar. Não foi nada disso. Eu sonhei que uma casa pegava fogo, lembro claramente de olhar a janela daquela casa e ver a cortina esvoaçando e sendo consumida pelo fogo, sua cor mudando de lilás para nada, porque não havia mais cortinas depois que o fogo as beijou. Lembro das chamas explodindo para fora das janelas, como se quisessem me alcançar também, e de uma certa forma conseguiram. A fumaça estava em toda parte e eu me sentia mal pois toda a vida de uma pessoa ou uma família, todos os seus pertences estavam sendo tirados deles, corri na direção da casa, não me importando com a fumaça que parecia cada vez mais concentrada, mais densa. Tentei encontrar algum sobrevivente, mas já havia pessoas lá dentro fazendo o resgate, eu só sentei e fiquei observando algumas pessoas sendo retiradas de lá de dentro, cada pessoa que eu via ser salva era um alívio pro meu coração, mas um peso a mais para os meus pulmões, a dificuldade de respirar só aumentava mas eu não podia deixar de observar as pessoas saindo de lá uma a uma, e para quem pudesse me ver foi assim que eu morri. Lenta e dolorosamente. Fui asfixiando aos poucos, meu peito queimava, a falta de ar era terrível e enfim eu deitei na grama, pra nunca mais acordar. Alguns rostos passavam pela minha mente enquanto eu ia morrendo e o teu estava entre eles, não me surpreendi. Eu tive um tempo considerável pra pensar no que eu vivi até aqui enquanto minha vida se esvaia e escapava de mim em cada respiração dificultosa, percebi então que eu só queria dar mais um abraço nos meus pais e pedir desculpas por todas as cagadas que eu já fiz, gostaria de ver minha sobrinha rindo pelo menos mais uma vez e poder socar meu irmão e ouvi-lo me chamar de "cabeça"; queria tomar mais uma cerveja com alguns amigos, ver a filha de outra amiga nascer, talvez poder viajar mais uma vez com outra; eu desejei tanto não ter brigado com algumas pessoas ou discutido tantas vezes, deveria ter sido menos grossa também. O que de fato me surpreendeu foi o tamanho da necessidade que eu senti de dormir mais uma noite ao seu lado, de poder encaixar minha cabeça no teu peito, de te beijar por horas a fio, poder rir das tuas piadas sem graça mais uma vez e te ouvir cantando completamente desafinado; queria sentir mais uma vez teus dedos entrelaçados aos meus, escutar a tua risada, sentir teus braços ao meu redor e o calor do teu corpo; meu Deus, como eu queria poder sentir o teu cheiro pela última vez... e assim eu morri, com todos esses desejos em mente e com o contorno dos teus lábios, a curvatura do teu sorriso, a bondade no teu olhar e a voracidade do nosso primeiro beijo gravados no que restava da minha memória, no que restava de mim.
domingo, 20 de agosto de 2017
Eu disse a mim mesma que não correria atrás, mas como deixar passar um dia sem ouvir a tua voz? Eu disse a mim mesma que não escrevesse mais uma palavra sobre você, mas como escreveria sobre coisas que não me inspiram? Eu disse a mim mesma que não me jogasse de cabeça nisso tudo, mas como ser cautelosa quando o que se sente é mais forte que um furacão? Eu disse a mim mesma que amores sempre machucam no final, mas como pensar em algum tipo de dor se o que temos é tão doce? Eu disse a mim mesma que parasse de pensar tanto em você, mas como parar se até as coisas mais comuns e banais me lembram você? Eu disse a mim mesma que não criasse expectativas, mas como evitar quando tudo está fluindo tão bem? Eu disse a mim mesma que gostava de você, mas como te contar isso? Ok, contei. Eu disse a mim mesma que estávamos na mesma página, mas como ter certeza? Eu disse a mim mesma que você se importava comigo, mas como se você sempre me deixa escapar pelos seus dedos? Eu disse a mim mesma que vale a pena lutar por nós dois, mas como lutar sozinha pelos dois? Eu disse a mim mesma que esse era apenas o teu jeito, mas como conviver com as carências que continuo sentindo e você não se esforça pra suprir? Eu disse a mim mesma que isso (a gente) ainda me fazia bem, mas como pode fazer bem se me sinto mais triste ou com raiva do que bem? Eu disse a mim mesma que acabou, então eu disse a você também. Acabou?
domingo, 9 de julho de 2017
Como fomos parar em lugares tão distantes quando eu podia jurar que estávamos de mãos dadas? Quero tanto entender como passamos do que éramos para o que somos, o momento exato em que isso aconteceu me é muito vago. Nós dois erramos, disso eu sei. Quem disse a primeira coisa a machucar o outro, quem saiu primeiro ou quem ficou são memórias borradas, como se eu tentasse enxergar através de um nevoeiro. Apesar de sempre dizer que você tinha sorte de eu gostar tanto de você, a verdade é que essa sorte sempre foi minha. Não tenho ideia do que eu possa ter feito de tão maravilhoso nessa vida pra gostar tanto de você e saber que era recíproco, mas como tudo o que é bom chega ao fim, nós também chegamos. Só me conta quando foi que passamos a viver em páginas tão diferentes que acabamos em livros separados, preciso saber a hora em que nossos corações se distanciaram tanto. Eu deveria ter sentido, não deveria? Deveria ter me causado algum tipo de dor ou mal estar enquanto esse precipício se abria entre nós, mas eu não senti. Você sentiu?
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Hoje eu estava no ônibus e reparei no meu reflexo, fiquei tentando ver o que você vê em mim. Mas quando eu olhava os meus olhos, me lembrava dos seus. Quando olhei meu nariz, podia jurar que senti o seu nariz no meu, naquele beijo de esquimó tão terno que aquece minh'alma. No momento em que cheguei na minha boca quase perdi o fôlego, porque tudo o que eu via era a sua boca na minha e você mordendo meus lábios, de repente me lembrei dos momentos em que eu mordo os seus lábios, de como você suspira, geme e me aperta pra ainda mais junto do seu corpo. Como num passe de mágica fui levada àquela última noite em que dormimos juntos e minha mente, minuciosa como só ela, fez questão de passar por cada momento, sentir cada toque novamente e escutar cada palavra. Me peguei encarando fixamente meu reflexo, mas tudo o que eu podia ver e sentir era você.
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