sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
As paredes não estão vazias, estão cheias de lembranças suas. Minha cama não está vazia, está repleta com o nosso amor. Os cômodos da minha casa ainda podem te sentir e ouvir sua voz. Minhas panquecas ainda te esperam no balcão e a lasanha pediu pra avisar que não ficará pronta sozinha. Meus dedos insistem em desenhar o contorno de lábios que não mais são meus. Sua presença está impregnada em cada canto da casa: das roupas largadas no chão até às almofadas meio rasgadas; seu cheiro ainda está no meu travesseiro, sua camisa ainda no cabide; você está nos espaços agora vazios onde antes havia fotos nossas, está na rua ao lado de casa porque foi lá que nos beijamos pela primeira vez; te sinto exatamente na sua ausência, porque ela é algo tão real que chega a ser palpável. Mas as minhas roupas continuarão sentindo falta do seu toque e os talheres dos seus lábios, não é mesmo? O sofá vai reclamar muito da falta do seu corpo e o chuveiro da sua nudez, o cobertor sentirá falta do seu calor e a janela da bela visão que era você ao acordar, a maçaneta me confidenciou que sente saudades das suas mãos e que as cadeiras sentem falta do peso do seu corpo sobre elas; meu travesseiro sente falta dos seus cabelos e a máquina de lavar roupas disse que seu cheiro faz falta. Nada me fará te amar mais ou menos do que hoje, porém nada trará você de volta, porque mesmo se a gente voltar, a gente não volta.
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